Uma executiva bem sucedida sofre um colapso nervoso.
Para descansar, seu marido muda com toda a família para uma cidade do
interior. Lá ela começa a notar uma estranha coincidência: todas as
esposas do local obedecem com grande dedicação aos seus maridos,
parecendo felizes com a situação. Todas são iguais e apresentam os
mesmos gostos e hábitos.
Quem assistiu ao filme conhece a angústia
que a personagem de Nicole Kidman passou. O filme não é novo e este
dilema também não. Uma mulher com ambições modernas espremida entre a
pressão do mercado e a pressão do seu papel familiar.
Ás vezes tenho a sensação de que as pessoas só se sentem
realizadas encaixadas em extremos: ou uma bela dona de casa ou uma
excelente mulher de mercado. Já pararam pra pensar que a beleza da cor
cinza está na combinação dos elementos preto e branco? Pois a nossa
beleza pode estar justamente na combinação de nossos papéis. E se o
preto do mundo corporativo pode causar um grande estresse, o branco da
vida do lar pode nos causar frustração.
Uma das cenas mais marcantes do filme foi quando a executiva independente oferece ao marido para se tornar uma das mulheres perfeitas
que moravam na cidade. Para isso seria necessário passar por um
laboratório e se transformar em uma coisa que ela não era, e por amor ao
marido, estaria disposta a fazê-lo. Somente esta cena já vale o filme.
Por amor, a mulher escolhe ser o que seu marido idealizou que ela seria.
E os dois descem para o laboratório para dar início à transformação.
Coisa
estranha são os estereótipos, eles existem, mas não agradam a ninguém.
Estereótipo é coisa externa, que provoca angústia, sensação de
deslocamento e ausência de pertencimento. Diferente da vocação que vem
de dentro da alma e nos traz realização e sensação de plenitude.
Acredito que a mulher perfeita é aquela que se preocupa mais com a sua
vocação e menos em se enquadrar nos estereótipos existentes.
Voltando ao filme, o marido gostou muito do que viu na nova cidade, mulheres domesticadas,
uniformizadas, sempre a serviço de seus maridos. Nos primeiros dias a
idéia de ter uma esposa assim parecia reforçar sua autoestima e criar
uma vida ideal. Só tinha um problema: Para ganhar uma esposa assim, ele
teria que perder a sua verdadeira mulher, aquela que o atraiu para a
vida a dois e de alguma forma o fez feliz até aquele momento.
Diante do dilema entre o estereótipo da dona de casa perfeita
e da executiva bem sucedida ele abre mão dos dois e escolhe
simplesmente ter a sua mulher, com todas as qualidades e defeitos.
Acredito que este tenha sido realmente um final feliz.
By dicasdemulher.com.br
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