quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Sobre a mentira - Revista Minas em Cena - Mes Outubro

Vivo com uma pessoa que mente descaradamente. Já não acredito mais no que ele fala. Suas promessas não duram nem uma semana, ele não consegue cumprir e aí fala mais mentiras. Além disso, a fala dele é totalmente diferente do comportamento. Fala uma coisa e faz outra. Isso tem cura?
 

Podemos dividir a questão da leitora em dois problemas: a mentira e a incoerência, ambos ancorados na conduta moral.

Conviver com o parceiro mentiroso é viver em uma angústia constante. Você nunca sabe o que é verdade e o que é mentira. Tudo é motivo de desconfiança e investigação.
O indivíduo com o hábito de mentir o faz sem o menor constrangimento. Afirma com veemência suas lorotas e por vezes envolve até terceiros para encobrir suas farsas.

Há casos graves em que mentir pode ser uma doença, caso da Mitomania, que é um transtorno caracterizado pela compulsão em mentir.

A incoerência vem corroborando todo o cenário negativo. O que estava ruim, fica um pouco pior. Cazuza já dizia nos seus poéticos versos: “suas ideias não correspondem aos fatos”.
Não é raro de se ver pessoas incoerentes com lindos discursos convincentes. Porém, quando se convive com uma pessoa que fala uma coisa e faz outra, somente se deve considerar o que é vivido na prática. As belas palavras que saem da boca podem estar a serviço de enganar uma platéia e sustentar uma falsa imagem.

No caso em vigor, é importante refletir duas questões:
- Vale a pena viver a vida em constante estado de vigília e ansiedade, feito um cão de guarda, para captar a brecha do mentiroso?

- Tendo em vista que o amor passa pela admiração, até que ponto essa relação está pautada no nobre sentimento de amar, tendo saboreado tantas decepções advindas da incoerência?
Muitas vezes arrastamos relações por insistência tentando mudar o imutável. É bom lembrar que nem sempre resistência é virtude. Quer alívio maior que se render quando se descobre que a luta não se justifica?

Vale a pena a profunda reflexão. Viver permanentemente na angústia, ansiedade e frustração pode ser muito prejudicial para a saúde física e mental. Pense nisso.
Sorte e Paz. Te espero na próxima edição.

Simone Demolinari

`A Sombra de Deus - Artigo revista Exclusive - Mes Outubro.

Meu marido é egoísta e egocêntrico. Só a vida dele importa. Sinto solidão no casamento. Não ha espaço para compartilhar minha vida, só as questões dele são consideradas. Como levar a relação? Uma pessoa assim consegue mudar?

Egoísmo e egocentrismo são traços de personalidade de um indivíduo narcisista. Numa relação amorosa, é muito difícil negociar uma medida justa com alguém assim. Indivíduo com esse tipo de comportamento carrega consigo a certeza de que é mais importante que os demais. Portanto, sua vontade e seu prazer sempre virão em primeiro lugar. Seu ego é projetado no centro do universo, e por isso se considera diferenciado, ungido e até iluminado. O narcisismo exerce sua faceta numa via de mão única. Certa vez, uma paciente narrou o seguinte dialogo com o parceiro:

Ela: “Eu te acompanho em seus compromissos, cuido de você, te ajudo na manutenção da sua agenda, sou carinhosa e atenciosa com sua família. E você? o que faz por mim?”.

Ele respondeu, num tom entre sério e irônico: “Eu te namoro”.

É claro que nem todos os parceiros, se confrontados, conseguirão ser tão claros assim. Nesse caso, a clareza fica explícita na unilateralidade do dia a dia. Se já é difícil ter que lutar contra o próprio ego, imagina ter que administrar o “ego de rei” do marido, para que a relação funcione?

Outra característica proeminente é a vaidade. Ela inverte a lógica do narcisista, que prefere ser adulado a ser amado. A adulação é praticamente uma exigência afetiva de seu ego. Sente-se muito confortável com o culto a sua personalidade e é intolerante a qualquer tipo de crítica. Por isso, evita pessoas assertivas, mas não prescinde da caravana de bajuladores.

A recuperação de um narcisista é possível por meio do nascimento de dois sentimentos que lhe são genuinamente amputados: a empatia (capacidade de sentir e entender a dor do outro) e a humildade (ausência completa de orgulho). Tarefa dificílima para um ego soberano.

Como levar a relação? Esta dependerá do quão você consegue adotar uma posição anulativa para que a suposta magnitude de seu parceiro nunca seja abalada.

Sorte e Paz!