É muito comum a não compreensão entre amor e paixão. Na minha
experiência direta com atendimento em terapias com mulheres, homens e
casais a fala: “Nós nos amávamos muito, existia uma forte paixão entre
nós, mas depois a relação esfriou....”. Sempre aparece em questões de
relacionamentos amorosos. Isto mostra a questão de considerar-se o amor e
a paixão como sentimentos igualados.
No começo do relacionamento
é comum existir mais paixão do que amor, fora os casos em que já havia
amor antes do relacionamento de fato se efetivar. Isto quer dizer que no
início da relação há mais atração entre o casal, mais necessidade de
troca afetiva, de toque, de relacionamento sexual, tanto é que se não
existir isto, geralmente, não há como as pessoas se sentirem dispostas a
sustentar a relação. Neste caso, é comum entre os casais a
justificativa: “Não há atração física; não tem aquela coisa de pele; não
tem química entre nós, etc.” Desta forma, o amor inicialmente é
percebido através deste parâmetro, que é muito importante mas que não
corresponde de fato a totalidade da grande teia que é o amor.
O
amor está além da necessidade de sentir fortes e intensas sensações que a
atração física e a “química” podem propiciar. Pessoas que buscam
somente as fortes emoções tendem a não sustentarem relacionamentos mais
duradouros, pois a partir do momento em que as “coisas esfriam” na
relação, tendem, também, a encerrarem o relacionamento e a buscarem
outros que tragam as sensações intensas novamente.
Penso que a
paixão é parte do amor e que o amor também necessita da paixão. A paixão
é importante para dar ignição à relação, para reunir os casais que de
fato se amam, porém, ela vai mudando de intensidade ao longo do tempo da
relação a partir dos valores e da maturidade do casal.
A
aceitação das mudanças naturais de um relacionamento ao longo dos anos, o
acompanhamento natural destas mudanças pelo casal e, a permanência numa
relação harmônica de companheirismo são alguns conteúdos chaves que de
fato revelam a existência do verdadeiro amor entre o casal.
Quando
existe amor entre o casal há a superação das dificuldades naturais do
relacionamento, há maior desapego da paixão, pois se sustenta a
aceitação um do outro e a consciência de que um relacionamento é
construído o tempo todo, pois o amor não é pronto nem perfeito. Quando
existe somente a paixão, não há o construir da relação, somente o
usufruir dela; a relação passa a ser de “uso” pois se tira o melhor das
sensações (geralmente física), deixando o essencial de fora. Desta forma
as relações não se sustentam, causando até sérios distúrbios
emocionais, psíquicos e sexuais.
Bem, acho que o melhor é viver a
intensidade da paixão com amor e a profundidade do amor com paixão,
buscando sempre a compreensão de que nada permanecesse o mesmo para
sempre, pois na natureza não há uma noite igual a outra, nem chove duas
vezes da mesma forma no mesmo lugar! Assim, nós mudamos continuamente e o
amor (que reúne a paixão) vai acompanhando estas mudanças naturais.
Porém, o que muda é na forma, no jeito da manifestação, pois em essência
o amor é esta grande força que nos impulsiona a experimentarmos vários
tipos de amores que formam a teia do amor maior!
Artigo escrito por Ramy Arany – co-fundadora do Instituto KVT e
do Instituto KVT Desenvolvimento da Consciência Empresarial é
Assistente social, Escritora dos livros Eternamente Ísis – O retorno do
feminino ao Sagrado e Visão Gestadora – A visão em teia. Terapeuta
comportamental, na linha da consciência. Especialista na Liderança
feminina e na consciência feminina, relacionamentos e maternidade. É
também palestrante nestas áreas.