domingo, 27 de julho de 2014

A terra do nunca.

Artigo Jornal Hoje em dia - Domingo 27.07.

No país do Carnaval, do futebol e da teledramaturgia, uma das notícias que se destacou essa semana foi o desfecho da novela das 9, que segundo consta, amargou baixos índices de audiência desde sua estreia.

Eu não assisto a uma novela desde que mataram Odete Roitman e confesso que fiquei feliz quando li sobre o desinteresse do publico por essa trama.
Não houve beijo lésbico que subisse a audiência.

Cogitei a possibilidade de o público estar se desinteressando pela cultura de massa. Mas minha felicidade durou pouco. O publico estava mesmo era revoltado com o marasmo do enredo.

A Globo não pensou duas vezes. Tratou meios de finalizar o que não estava agradando e anunciar um novo folhetim com muita vilania, promessa de três cenas de sexo, dois assassinatos, dois atropelamentos seguidos de morte e um incêndio, logo na primeira semana, para não ter erro.

Não é de hoje que as novelas buscam audiência através do realismo e preenchem suas histórias com traições, golpes baixos, roubos, sexo, prostituição. Infelizmente nada muito diferente da vida real.

Eis que junto com a nova trama, surge o velho e manjado discurso: “as novelas exageram e deseducam as crianças do nosso Brasil”.

Quando ouço isso, inevitavelmente me pergunto o que tem a ver novela com educação?

Nao estaria a educação de uma criança sob a responsabilidade dos pais e da escola?

Desde quando uma novela tem por objetivo educar alguém? Seria até uma boa ideia, porém esta nunca foi esta a proposta de uma emissora que claramente baseia seu apelo emocional na busca de audiência.

Controlar o conteúdo que passa na televisão, principalmente num horário nobre é impossível, mas administrar o controle remoto da residência, está literalmente na mão de cada pai.

O equivoco é culpar as novelas, e não abrir mão de desligar a TV em prol da preservação da criança. Afinal de contas a educação não vem do exemplo?

Mas reclamar parece ser sempre uma boa opção para quem não gosta de agir.

Outro problema que norteia nossa realidade é a identidade cultural do nosso país, que é de baixíssimo nível. Não é a toa que a versões brasileiras de reality shows como Big Brother encontrou aqui seu terreno fértil e bateu todos os recordes mundiais de votação.

Outra inutilidade que encontrou seu lugar ao sol no nosso Brasil foram as redes sociais. Hoje lideramos o ranking de horas on line e compartilhamento nestas mídias.

Na contramão da qualidade de vida, fomos classificados no relatório da ONU, que saiu nesta semana, na 79 posição no índice IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), um indicador que avalia o ranking do desenvolvimento de cada país com base na renda, saúde e educação.

O que será de nós, eu não sei, mas entristece-me, a constatação quase inevitável de que estamos dormitando sem hora para acordar.

Simone Demolinari

segunda-feira, 21 de julho de 2014

No país da fofoca, opinião é tabu

Coluna Jornal Hoje em Dia 20.07.2014

Ouvi essa frase do título em uma entrevista do cantor Lobão e achei genial.
Lobão tem razão.

E acrescento mais, entre a fofoca e o tabu ainda mora a hipocrisia, que é o pano de fundo da nossa sociedade. Ditamos regras moralmente aceitas, apoiamos algo que nem sempre concordamos, tudo isso para garantir o politicamente correto.
Em nome dessa aparência vendemos a alma. Concordamos quando queríamos discordar, calamos quando queríamos falar.

Na ultima semana da Copa do mundo, bastou Willian Bonner dizer que gosta e respeita os argentinos, porém não consegue torcer, para que a opinião publica o execrasse imediatamente.
Embora não seja difícil imaginar que, no mínimo, metade dos brasileiros torceram contra a seleção argentina explicitamente. Torcer pode, falar não? É isso?

Se o problema é ele ser um jornalista de destaque e por isso foi criticado, posso exemplificar outras situações de menor projeção e igual polemica.

É só ir contra o senso comum para ver isso. Eu, por exemplo, não sou entusiasta das musicas de Chico Buarque. O admiro pelo legado, respeito sua obra e sei da importância dela, porém não gosto e não ouço.
Ter essa opinião me deixa numa situação complicadíssima, alem de ser vilipendiada ainda sou reduzida a uma subcategoria de humanos não confiáveis.

Espalhar a noticia de que Chico foi flagrado numa praia beijando uma mulher casada, não há nada demais. Mas não gostar da sua obra é inaceitável. Fofoca pode, opinião é tabu. Triste, mas real.

Não duvido que entre os fanáticos por Chico Buarque se encontrem os apaixonados pelo mito e não pela obra em si.
O problema é que somos tão condicionados, que fica difícil separar o que gostamos do que aprendemos a gostar.
Atrelado a isso temos a hipocrisia, a arte de exigir dos outros o que voce não pratica -- tirar o direito da opinião alheia impondo a sua própria opinião. Contraditório não?

No outro polo da doblez comportamental, temos a síndrome de semideus. Nela, o auto engano mascara a hipocrisia com ares celestiais.
O indivíduo, no alto da sua omnipotência, alega que os demais não suportarão sua honestidade verbal e assim, de uma forma pseudo “altruísta”, consegue limpar sua desonestidade aduzindo que a mesma poderia ferir. Perfeito, assim a falsidade toma forma de nobreza.

O filosofo, Olavo de Carvalho fala bem no seu livro o “ O Imbecil Coletivo” das objeções cretinas que nascem de impulsos saudável, do diletantismo estético, da contradição humana e da preguiça mental do rebanho.

Mas como jogar luz as trevas que alimentam a oligofrenia social?

domingo, 13 de julho de 2014

Compêndio de uma Copa infeliz

Artigo Jornal Hoje em Dia -- 13.07

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu.
Acaba-se a Copa, ficam-se os estádios, a vergonha e o mico.

A copa aconteceu aos trancos e barrancos, com um puxadinho no aeroporto aqui, uma maquiagem urbana ali, um viaduto caído acolá. Teve Copa.

Teve também muita revolta da população com o abuso do dinheiro público e total inversão de valores em relação a saúde e a educação. Em que pese a indignação foi impossível não torcer, não vibrar e não se emocionar em algumas partidas, como por exemplo Brasil e Chile.

Tivemos momentos de comoção nacional com a fratura de Neymar, e aí lembramos que copa se faz com hospital, sim, Ronaldo Fenômeno. Talvez não um hospital particular como o que nosso craque foi tratado, mas hospitais públicos que socorreram as vitimas do viaduto que desabou em Belo Horizonte. Aliás dediquei silenciosamente a derrota vexatória de 7 x 1 as vítimas desse triste acidente.

Não consegui seguir o conselho do Rei Pelé, que meses antes da copa do mundo, sugeriu a população esquecer as confusão que o Brasil estava (está) passando, esquecer as manifestações e pensar somente na seleção brasileira.
Não consegui seguir suas palavras, meu rei!

Confesso que essa copa me despertou sentimentos contraditórios e concomitantes. Senti amor pelo país, pelo futebol, pela Seleção e náuseas pela desordem pública evidente.

Confesso que transitava entre a alegria e a frustração em cada partida que ganhávamos. Se isso significa misturar futebol com política, eu não sei como não fazê-lo, uma vez que para realizar este evento sucumbimos em reformas mastodônticas e rios de dinheiro público.

Não levar o título de campeão dessa Copa, infelizmente ajuda a retirar a máscara de que está tudo bem com o país do futebol. Levar uma coça em casa e ainda ser chacoteado mundialmente ficará para história das Copa do Mundo.

Será que o departamento de marketing da presidente, insistirá ainda em reverberá que fomos a Copa das Copas?
Aliás nunca entendi bem este slogan. Seríamos nós a copa das copas do jeitinho brasileiro? Da malandragem? Do Macunaíma da modernidade? Ou a copa das copas do roubo, da hipocrisia e da derradeira abjeção?

E agora, entraremos em estado de deliquescência de um país depaurado ou teremos um novo circo para distrair os espectadores? Haja tapete para tanta sujeita. Haja dinheiro para tanto imposto. Haja subserviência para tanta psiCopatia. Haja paciência para viver nesse país e como diz o Galvão Bueno, haja coração.

O orgulho de ser brasileiro anda de mãos dadas com a vergonha de ser vítima da incompetência mostrada como prosperidade, da censura engrupida de democracia e dos acéfalos travestidos de intelectuais. Pobre país rico, onde o espaculoso sobrepuja `a sobriedade e a pizza é levada a sério.

sábado, 12 de julho de 2014

De Carona

Radio está na moda! 
Além de estar na moda, ouvir rádio é o maior barato, voce se sente acompanhado e ainda ouve musicas que jamais esperava ouvir. 

Eu e Cassia estamos apresentando o programa De Carona, aqui na 102.9 FM. Um programa descontraido com papo bom e música boa. 

Voce ouvinte, pode interagir conosco, dar sua opinião sobre os assuntos e nos dar uma carona também. 

Estão todos convidados. A porta está aberta, podem entrar! 

Espero voces, de segunda a sexta de 17h as 19 horas. 

Um beijo a todos.