quinta-feira, 4 de setembro de 2014

A era do amor banalizado

  
Até pouco tempo atrás, ouvir “eu te amo” era raro. Algo dito somente em momentos especiais, para pessoas especiais. Havia uma aura de respeito em torno dessas três letrinhas, quase um compromisso com a palavra. Mas isso faz parte de um passado, embora recente. Piscamos os olhos e, pronto, foi-se embora a cerimônia em se declarar.
Atualmente, ama-se em poucos dias, quiçá em horas. Ama-se o novo com juras eternas e realidade instantânea.
Atualmente o “eu te amo” parece estar acoplado a uma simples despedida: “Boa noite, eu te amo. Um beijo, eu te amo”.
Confesso que nunca me senti tão “amada” como na atualidade.
É claro que reconheço essa atitude como um ato de carinho, mas, convenhamos, não é amor. Pode ser também que, assim como as palavras sofrem mutações com o tempo, o amor também tenha perdido esse peso sentimental do passado e eu ainda esteja com conceitos envelhecidos.
Para facilitar a proliferação dessa nova roupagem do amor, surgiram outras formas de se declarar, principalmente na internet: emoticons de corações coloridos de várias formas, feitios e tamanhos; tem também o amor com um charme internacional “Lov U” e até o amor cifrado “ETA” (sigla de Eu Te Amo – este, embora pareça óbvio, precisei da ajuda da minha sobrinha de 12 anos para interpretar).
Teria o amor duradouro, forte, robusto, aquele que tudo supera, que desafia o tempo e vence os obstáculos, dado lugar aos laços momentâneos com amor frágil, provisório, descartável, instável, perecível ao tempo, que nada supera, pouco suporta e muito cobra?
Parece que nasceu uma nova ética no amor. Algo meio contraditório. Ama mas não confia, ama mas fala mal pelas costas, ama mas trai, ama mas rouba seu namorado, ama mas mente, ama mas te lesa.
Algumas sacanagens, mas tudo com muito amor.
Será que este é o novo cenário do amor bandido? Se for, seria melhor ele ir preso.
Confesso que este amor tem me deixado confusa.
Resolvi parar de “amar” por um tempo até ver qual será o próximo amor, porque este, com data marcada para acabar, totalmente descompromissado, exibicionista, que muito fala e pouco faz, eu não estou achando bom.
E aqui me despeço do amor, com muito amor.

domingo, 27 de julho de 2014

A terra do nunca.

Artigo Jornal Hoje em dia - Domingo 27.07.

No país do Carnaval, do futebol e da teledramaturgia, uma das notícias que se destacou essa semana foi o desfecho da novela das 9, que segundo consta, amargou baixos índices de audiência desde sua estreia.

Eu não assisto a uma novela desde que mataram Odete Roitman e confesso que fiquei feliz quando li sobre o desinteresse do publico por essa trama.
Não houve beijo lésbico que subisse a audiência.

Cogitei a possibilidade de o público estar se desinteressando pela cultura de massa. Mas minha felicidade durou pouco. O publico estava mesmo era revoltado com o marasmo do enredo.

A Globo não pensou duas vezes. Tratou meios de finalizar o que não estava agradando e anunciar um novo folhetim com muita vilania, promessa de três cenas de sexo, dois assassinatos, dois atropelamentos seguidos de morte e um incêndio, logo na primeira semana, para não ter erro.

Não é de hoje que as novelas buscam audiência através do realismo e preenchem suas histórias com traições, golpes baixos, roubos, sexo, prostituição. Infelizmente nada muito diferente da vida real.

Eis que junto com a nova trama, surge o velho e manjado discurso: “as novelas exageram e deseducam as crianças do nosso Brasil”.

Quando ouço isso, inevitavelmente me pergunto o que tem a ver novela com educação?

Nao estaria a educação de uma criança sob a responsabilidade dos pais e da escola?

Desde quando uma novela tem por objetivo educar alguém? Seria até uma boa ideia, porém esta nunca foi esta a proposta de uma emissora que claramente baseia seu apelo emocional na busca de audiência.

Controlar o conteúdo que passa na televisão, principalmente num horário nobre é impossível, mas administrar o controle remoto da residência, está literalmente na mão de cada pai.

O equivoco é culpar as novelas, e não abrir mão de desligar a TV em prol da preservação da criança. Afinal de contas a educação não vem do exemplo?

Mas reclamar parece ser sempre uma boa opção para quem não gosta de agir.

Outro problema que norteia nossa realidade é a identidade cultural do nosso país, que é de baixíssimo nível. Não é a toa que a versões brasileiras de reality shows como Big Brother encontrou aqui seu terreno fértil e bateu todos os recordes mundiais de votação.

Outra inutilidade que encontrou seu lugar ao sol no nosso Brasil foram as redes sociais. Hoje lideramos o ranking de horas on line e compartilhamento nestas mídias.

Na contramão da qualidade de vida, fomos classificados no relatório da ONU, que saiu nesta semana, na 79 posição no índice IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), um indicador que avalia o ranking do desenvolvimento de cada país com base na renda, saúde e educação.

O que será de nós, eu não sei, mas entristece-me, a constatação quase inevitável de que estamos dormitando sem hora para acordar.

Simone Demolinari

segunda-feira, 21 de julho de 2014

No país da fofoca, opinião é tabu

Coluna Jornal Hoje em Dia 20.07.2014

Ouvi essa frase do título em uma entrevista do cantor Lobão e achei genial.
Lobão tem razão.

E acrescento mais, entre a fofoca e o tabu ainda mora a hipocrisia, que é o pano de fundo da nossa sociedade. Ditamos regras moralmente aceitas, apoiamos algo que nem sempre concordamos, tudo isso para garantir o politicamente correto.
Em nome dessa aparência vendemos a alma. Concordamos quando queríamos discordar, calamos quando queríamos falar.

Na ultima semana da Copa do mundo, bastou Willian Bonner dizer que gosta e respeita os argentinos, porém não consegue torcer, para que a opinião publica o execrasse imediatamente.
Embora não seja difícil imaginar que, no mínimo, metade dos brasileiros torceram contra a seleção argentina explicitamente. Torcer pode, falar não? É isso?

Se o problema é ele ser um jornalista de destaque e por isso foi criticado, posso exemplificar outras situações de menor projeção e igual polemica.

É só ir contra o senso comum para ver isso. Eu, por exemplo, não sou entusiasta das musicas de Chico Buarque. O admiro pelo legado, respeito sua obra e sei da importância dela, porém não gosto e não ouço.
Ter essa opinião me deixa numa situação complicadíssima, alem de ser vilipendiada ainda sou reduzida a uma subcategoria de humanos não confiáveis.

Espalhar a noticia de que Chico foi flagrado numa praia beijando uma mulher casada, não há nada demais. Mas não gostar da sua obra é inaceitável. Fofoca pode, opinião é tabu. Triste, mas real.

Não duvido que entre os fanáticos por Chico Buarque se encontrem os apaixonados pelo mito e não pela obra em si.
O problema é que somos tão condicionados, que fica difícil separar o que gostamos do que aprendemos a gostar.
Atrelado a isso temos a hipocrisia, a arte de exigir dos outros o que voce não pratica -- tirar o direito da opinião alheia impondo a sua própria opinião. Contraditório não?

No outro polo da doblez comportamental, temos a síndrome de semideus. Nela, o auto engano mascara a hipocrisia com ares celestiais.
O indivíduo, no alto da sua omnipotência, alega que os demais não suportarão sua honestidade verbal e assim, de uma forma pseudo “altruísta”, consegue limpar sua desonestidade aduzindo que a mesma poderia ferir. Perfeito, assim a falsidade toma forma de nobreza.

O filosofo, Olavo de Carvalho fala bem no seu livro o “ O Imbecil Coletivo” das objeções cretinas que nascem de impulsos saudável, do diletantismo estético, da contradição humana e da preguiça mental do rebanho.

Mas como jogar luz as trevas que alimentam a oligofrenia social?

domingo, 13 de julho de 2014

Compêndio de uma Copa infeliz

Artigo Jornal Hoje em Dia -- 13.07

E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu.
Acaba-se a Copa, ficam-se os estádios, a vergonha e o mico.

A copa aconteceu aos trancos e barrancos, com um puxadinho no aeroporto aqui, uma maquiagem urbana ali, um viaduto caído acolá. Teve Copa.

Teve também muita revolta da população com o abuso do dinheiro público e total inversão de valores em relação a saúde e a educação. Em que pese a indignação foi impossível não torcer, não vibrar e não se emocionar em algumas partidas, como por exemplo Brasil e Chile.

Tivemos momentos de comoção nacional com a fratura de Neymar, e aí lembramos que copa se faz com hospital, sim, Ronaldo Fenômeno. Talvez não um hospital particular como o que nosso craque foi tratado, mas hospitais públicos que socorreram as vitimas do viaduto que desabou em Belo Horizonte. Aliás dediquei silenciosamente a derrota vexatória de 7 x 1 as vítimas desse triste acidente.

Não consegui seguir o conselho do Rei Pelé, que meses antes da copa do mundo, sugeriu a população esquecer as confusão que o Brasil estava (está) passando, esquecer as manifestações e pensar somente na seleção brasileira.
Não consegui seguir suas palavras, meu rei!

Confesso que essa copa me despertou sentimentos contraditórios e concomitantes. Senti amor pelo país, pelo futebol, pela Seleção e náuseas pela desordem pública evidente.

Confesso que transitava entre a alegria e a frustração em cada partida que ganhávamos. Se isso significa misturar futebol com política, eu não sei como não fazê-lo, uma vez que para realizar este evento sucumbimos em reformas mastodônticas e rios de dinheiro público.

Não levar o título de campeão dessa Copa, infelizmente ajuda a retirar a máscara de que está tudo bem com o país do futebol. Levar uma coça em casa e ainda ser chacoteado mundialmente ficará para história das Copa do Mundo.

Será que o departamento de marketing da presidente, insistirá ainda em reverberá que fomos a Copa das Copas?
Aliás nunca entendi bem este slogan. Seríamos nós a copa das copas do jeitinho brasileiro? Da malandragem? Do Macunaíma da modernidade? Ou a copa das copas do roubo, da hipocrisia e da derradeira abjeção?

E agora, entraremos em estado de deliquescência de um país depaurado ou teremos um novo circo para distrair os espectadores? Haja tapete para tanta sujeita. Haja dinheiro para tanto imposto. Haja subserviência para tanta psiCopatia. Haja paciência para viver nesse país e como diz o Galvão Bueno, haja coração.

O orgulho de ser brasileiro anda de mãos dadas com a vergonha de ser vítima da incompetência mostrada como prosperidade, da censura engrupida de democracia e dos acéfalos travestidos de intelectuais. Pobre país rico, onde o espaculoso sobrepuja `a sobriedade e a pizza é levada a sério.

sábado, 12 de julho de 2014

De Carona

Radio está na moda! 
Além de estar na moda, ouvir rádio é o maior barato, voce se sente acompanhado e ainda ouve musicas que jamais esperava ouvir. 

Eu e Cassia estamos apresentando o programa De Carona, aqui na 102.9 FM. Um programa descontraido com papo bom e música boa. 

Voce ouvinte, pode interagir conosco, dar sua opinião sobre os assuntos e nos dar uma carona também. 

Estão todos convidados. A porta está aberta, podem entrar! 

Espero voces, de segunda a sexta de 17h as 19 horas. 

Um beijo a todos.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Voce perdoa com facilidade?

Para perdoar de verdade é preciso esquecer o que ocorreu? Porque é tão dificil perdoar?


O trauma é inimigo do perdão.
Dai deriva a particularidade do ato de perdoar. Um fato que para um pode ser totalmente insignificante, para outros é demasiadamente danoso.
Por este e outros motivos é um equivoco questionar a intensidade da dor alheia.

Em uma situação de conflito é comum o agressor buscar o perdão através da banalização dos fatos. Caminho antagonico ao nobre ato de perdoar. Não há crescimento na critica, banalização ou desqualificação do problema.  Pessoas com dificuldade de se auto criticar e ou assumir seus erros, tendem a julgar o outro enquanto tapam os olhos para si.

Quanto maior o trauma, pior é a dificuldade em perdoar. O grande desafio é conseguir amar quem o lesou, vivenciando a consequência de um fato irreversível, como por exemplo um assassinato.

Quando recebi este email fiz uma breve pesquisa com 20 amigos sobre suas dificuldades de perdoar e o resultado foi o seguinte:

- 8  disseram que perdoam com facilidade.
- 7  assumiram a dificuldade do perdão e confessaram guardar magoas
- 5  disseram que depende da situação.

Se juntarmos os dois últimos grupos, teremos um numero bem superior de pessoas que não perdoam, do que aqueles que perdoam.

Aos mesmos entrevistados foi feita a pergunta: É mais fácil perdoar ou pedir perdão? Eis que:
- 2 disseram que é mais fácil perdoar.
- 18 disseram que é mais fácil pedir perdão.

Novamente, fica evidente a dificuldade de lidar com esse sentimento.


Muitos confundem perdoar com esquecer. Perdão não é sinonimo de esquecimento do passado (característica que pertence somente aos que sofrem de Mal de Alzheimer), no perdão, voce pode até se lembrar dos fatos, porém não produzirá nenhum sentimento negativo em relação ao ocorrido.

O principio do perdão engloba: término de qualquer sentimento de que o agressor seja punido e desapego da vontade de ser restituído pelo dano. Perdoar a divida é abrir mão dela.

Visivelmente há um conflito entre justiça e perdão.
E você, perdoa com facilidade ou perdoa desde que se faça justiça?
Vale a reflexão.

Sorte e paz, te espero na próxima edição.

Simone Demolinari para Revista Exclusive

segunda-feira, 26 de maio de 2014

O vício da farsa

Li seu artigo na Exclusive sobre pessoas que fingem ser o que não são e adorei. A partir dai passei a observar como muitos fingem e enganam tanta gente por tanto tempo. Vendem uma imagem de bons o quanto na verdade são capazes de “matar a mãe e ir ao cinema” sem culpa nem remorso. Me deu um certo desanimo. Escreva mais sobre isso.


Não posso discordar da leitora, também sinto um certo desanimo com a turma que parece mais preocupada com aplausos e com a sensação de superioridade do que com o real resultado daquilo que prega.
Na era das mascaras, ganha prestigio e visibilidade quem consegue blefar mais, tanto para os outros, quanto para si.

Nesse contexto de embuste, não é difícil deparar com situações em que a forma é maior que o conteúdo, as vezes vazio.  A festa de casamento torna-se mais importante que o amor, a comemoração de aniversario faz mais sentido que a gratidão de estar vivo, a foto na rede social tem maiores proporções que a alegria do momento e por aí vai. O vicio da farsa, da fama e do poder não perdoa nem a esfera espiritual, basta ir a India para ganhar uma espécie de salvo conduto e continuar vivendo o mundo de contradições.

Mas nem tudo que reluz é ouro. Vitimas de um profundo auto engano e blindados contra a realidade, quem vive de aparências, quase sempre busca encobrir um doloroso complexo de inferioridade. É como se fosse uma baixa auto estima cercada por muralhas: na ausência de virtudes e verdades entram os disfarces e as aparências.
Vale lembrar que as vezes a mascara vira rosto como única forma de sobrevivência, pois sem ela pouco resta a se mostrar.  O filosofo Luiz Felipe Pondé, no qual detenho grande admiração fala em seu livro: Contra Um Mundo Melhor", dos escravos do marketing social e cita a frase: "tudo é farsa na pretensa vida superbem resolvida dessa gente superlegal envolvida em jantares super inteligentes"
Como para todo teatro existe uma plateia, quem mantém a casa lotada para o espetáculo do ator social, são os aduladores que ora estão na platéia, ora no palco, retroalimentando a divina comedia humana que está mais para filme de terror. Neste caso, seguindo a tradição teatral, resta aos observadores desejar “merda”.

Sorte e paz te espero na próxima edição.

Simone Demolinari para Revista Exclusive

Pessoas incapazes de amar

Existem pessoas incapazes de amar?


Sim existe. Embora seja difícil de aceitar essa verdade.

Há casos de pessoas que nascem com um distúrbio no funcionamento das emoções e isso os tornam incapazes de sentir determinados sentimentos como gratidão, saudade, carinho e amor. 

Geralmente, a ausência dessas emoções faz com que os indivíduos com esse perfil, ajam friamente em beneficio dos seus interesses sem ao menos se preocupar com a consequência que isso pode causar na vida do outro. Prejudicam e lesam afetivamente pessoas que dizem amar, sem sentir remorso nem culpa.

É uma total ausência de empatia.

Infelizmente isso existe e não é raro de se ver.

O ponto complicado dessa situação é que o indivíduo que não tem as emoções afetivas desenvolvidas pode ter o total conhecimento intelectual delas, isso significa que mesmo não as sentindo ele é capaz de domina-las. Dai deriva a dificuldade em percebe-los.

Pessoas frias afetivamente tem o comportamento confuso. Juram amar, mas não apresentam comportamento digno de tal sentimento. Sua fala não coaduna com as suas ações, trata o campo das emoções de uma forma mecânica num total estilo burocrata de amar. Substituem pessoas com o mesmo desapego que substituem uma mercadoria com defeito.

Mesmo tendo esse jeito frio em relação ao outro, dificilmente isso é percebido num convívio social. Geralmente esse tipo de comportamento só se evidencia na família, entre amigos próximos e principalmente com os parceiros amorosos, que na maioria das vezes, são os que mais sofrem.

Um grande erro de quem convive com pessoas assim é tentar faze-lo perceber sua limitação afetiva, pois ele dificilmente apresenta uma consciência moral própria, essa percepção só acontece através da plateia. Se a plateia  se volta contra ele, ele se sente envergonhado e intimidado, porem incapaz de fazer nascer algo que ele não conhece e jamais conhecerá: o amor.


Sorte e paz, te espero na próxima edição.

Simone Demolinari para Revista Exclusive


segunda-feira, 19 de maio de 2014

Máscaras e Decepções

“Estou sempre me decepcionando com as pessoas. Parei para pensar se sou eu que deposito muita confiança no outro, mas concluí que a maioria das pessoas passa uma imagem diferente do que é. Sempre se supervalorizando para conquistar o outro. Triste, mas é verdade”.


Este é um trecho de um e-mail que recebi falando sobre a decepção de ver as máscaras caindo, da tristeza de se sentir enganada pelos discursos bonitos e atitudes feias. O problema desse tipo de situação é que as pessoas, no afã de seduzirem as outras, vendem uma imagem diferente do que realmente são. Uns usam esse artifício para si promoverem, outros porque realmente acreditam nas mentiras que criam sobre si próprios. Tanto uma quanto a outra, não se sustentam a logo prazo, e ambas geram muitos aborrecimentos.

O ideal seria se as pessoas se desnudassem para o outro, na hora da conquista, mostrando seus piores defeitos de forma bem sincera. Afinal de contas, as qualidades são sempre bem-vindas, o que incomoda são os defeitos.

Seria tão mais simples e pouparia tantos dessabores se, ao invés de se auto promover, o pseudo bom partido trabalhasse com a verdade, no melhor estilo nua e crua: “sou egoísta, nunca namorei sem trair, não quero casar, não sou romântico, nem sempre atendo celular”, etc.  Essas verdades podem parecer chocantes no primeiro momento, mas a mim, parece ainda mais ofensivo vender uma imagem enganosa.  E, uma vez colocada a verdade, fica a critério da outra parte topar ou não. Há quem goste de desafios, outros de mudar o imutável e outros de sofrer, mas aí é questão de gosto e não de mentira.

Enquanto você não encontra alguém com esse nível de sinceridade, vale a pena apurar as percepções e ficar atento aos sinais. Muitas atitudes falam por si e valem mais que mil palavras, assim, alguns sinais podem ser observados, tais como: como lida com a família, como terminou as relações anteriores, como tratam as pessoas que não tem interesse e, claro, a coerência entre o discurso e a ação, pois quase nada passa incólume no mundo privado da intimidade. O importante é ver a verdade como ela é e não como você gostaria que fosse, eis aí uma grande armadilha no campo do amor.

Sorte e paz! Te espero na próxima edição.


Simone Demolinari


Artigo Revista Minas em Cena - Abril/Maio

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Casal que faxina unido, permanece unido!

Um estudo de uma universidae na Suécia acompanhou a vida de quase mil casais ao longo de 26 anos e chegou a seguinte conclusao:
Os homens que não dividiam os afazeres domésticos com a parceira sofriam mais com problemas psicologicos como ansiedade, nervosismo e problemas de concentração.
Ja aqueles que topavam fazer metade do serviço eram mais tranquilos e felizes, e isso inclui também a vida  sexual.
Homens, olha so a vantagem! Por favor ajudem suas parceiras e serão ainda mais felizes!!

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Namorar x Ficar -- Revista Exclusive fevereiro

Estou saindo com uma pessoa há 4 meses. Eu o considero meu namorado, mas ele prefere dizer que a gente “fica”. Não sei se sou a única na vida dele, não me sinto bem com essa situação. Queria namorar, fazer planos, mas ele só quer “ficar”.

Já algum tempo que “ficar” se tornou entre algumas pessoas, algo muito interessante. Essa relação sem compromisso, me consta que é um tudo pode, desde que consensual, ou não.

O famoso “ficar” parece ser um dos contratos amorosos mais livres de regras. Para escrever este artigo perguntei a alguns amigos o que era “ficar” para eles. E obtive resposta desde de ficar é só transar, até “ficar” é algo sério que precede o namoro. Uns dizem que ficam com exclusividade, outros dizem que “ficam” pois assim estão livres para se relacionar com  outros parceiros.

Dessa forma conclui que “ficar” é terra de ninguém, cada um “fica” a sua maneira e cria as regras que lhe convém.

Intuo que um bom percentual dos adeptos as “ficadas” carregam consigo um certo medo da entrega amorosa. Aparentemente se divertem com as “ficadas”, mas intimamente saboreiam uma certa solidão.

Uma das partes boa da relação afetiva estável é a sensação de aconchego que ela proporciona. Podendo o casal, dentro de uma condição de confiança, dividir alegrias, dores, dificuldades, caminhar juntos e quem sabe até constituir família. Esse tipo de relacionamento, está na contra-mão das “ficadas”, que constam estar mais ligadas a diversão.

O mais importante é conferir com seu parceiro de forma bem transparente, qual é o modelo que ele prefere levar a relação, caso não seja compatível com o seu, é melhor evitar a continuidade, caso contrario voce se submeterá a uma situação aviltante ou entrará na busca frenética de tentar mudar o outro. Ambos ruins. O melhor é envolver-se com quem busca o mesmo que voce. Semelhantes, uni-vos!

Sorte e paz. Te espero na próxima edição.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Bom coração não praticante -- Revista Exclusive

Passei por dois momentos de muita dificuldade em minha vida. E nesses momentos as pessoas do meu convívio simplesmente sumiram. Ate aquelas que sempre diziam me amar se afastaram. É difícil encontrar uma pessoa que esteja ao seu lado de verdade, no momento de fraqueza a maioria só está com você nas horas felizes. Sofro muito com isso.

Infelizmente, esta não é uma queixa só sua.

Tenho a impressão que atualmente vivemos num estado de abundância material e miséria emocional. O “salve-se quem puder” dita as regras e as pessoas tornam-se mais rasas no nobre ato de amar.

Recentemente presenciei um caso de alguém que passara um quadro de depressão severa. Ele narra que tudo em sua vida eram “flores”, até ser acometido pela doença. A partir dai, alem de ter que lidar com todas as mazelas de uma depressão ainda precisava se fingir de feliz para sofrer menos criticas e julgamentos de amigos e parentes. Segundo ele, a falta de compreensão e afetividade das pessoas próximas contribuíram consideravelmente para o agravamento do seu problema.

De fato na nossa sociedade tem pouco espaço para lamurias. Conjuges, pais, filhos e amigos muitas vezes optam por se afastar do sofredor ao invés de acolhe-lo.  Simplesmente não querem estar próximos a alguém que esteja sofrendo. Na gíria popular, optam por “dar um tempo” até que a dor passe e a relação possa ser retomada com base na felicidade. 

Há de se entender que ninguém pode dar aquilo que não possui, mas se de fato não possui, eu questiono: onde ficam as juras de amor nos momentos de alegria?   A promessa do “conte comigo para sempre”? Para onde vão essas promessas nas horas de dificuldade? Ou tudo isso só é valido num permanente estado de alegria?

Que laços de afeto são estes, que de tão frágeis, se sucumbem frente a um sofrimento? Que amor é este, que só ama o belo, o perfeito?

Onde fica a empatia, a benevolência e a compaixão? Se limitam as palavras?

O amigo prestativo, o irmão solidário, o companheiro apaixonado, por vezes, tornam-se bons corações não praticantes, capazes de fazer uma doação a uma instituição de caridade, mas incapazes de se doarem ao outro.

Amar ao próximo como a ti mesmo, tem se apresentado algo tão antigo que só parece fazer sentido nas paginas da bíblia.

Ao meu ver deveríamos ter mais compromissos efetivos uns com os outros amando-os por completo e não só quando interessa.




Sorte e Paz, te vejo na próxima edição.

Dificuldade em se relacionar afetivamente? -- Revista Minas em Cena

Já tive inúmeras namoradas mas não consigo me apegar a nenhuma delas. Elas aparecem sempre cheias de problemas e não tenho muita paciência. Tenho 36 anos, sou louco para casar, mas não encontro a mulher ideal.
Guilherme



Idealizar o parceiro pode ser uma terrível armadilha. Algumas das grandes decepções amorosas derivam da inaceitável decepção quando mito dá lugar ao ser humano.


Na busca do par perfeito, homens e mulheres sonham com uma espécie de “salvador da pátria”, que chegará para curar todas as mazelas, preencher a solidão e os anseios atuais e ainda ressarcir um passado afetivo desagradável.

Nessa busca pelo par perfeito sobra muito pouco para o parceiro manifestar alguma fragilidade.

Recentemente deparei-me com um casal onde a relação era pautada nesses moldes: amor de plástico. O marido casou-se com a mulher perfeita: bonita, elegante, amável e inteligente, uma princesa que ele tanto procurara.

A relação durou ao todo três anos e ruiu em apenas um mês quando a esposa teve uma grave doença que piorou com um quadro de depressão. O marido não excitou e pediu a separação, alegando problemas de incompatibilidade. Ela relata uma enorme decepção: “nunca imaginei que 3 anos de pura doação, não fosse capaz de segurar  um problema de saúde”.

O marido seguiu em frente e ela sucumbiu em uma das suas piores dores emocionais. Fechou sua empresa, emagreceu 15 kilos e enfrentou uma série de doenças advindas do baixo sistema imunológico, fruto do desgaste emocional.

Historias como estas, não são difíceis de se encontrar.

O aconchego afetivo que em tese, deveria ser a premissa do amor, dá lugar a uma cruel relação objetal, onde o parceiro (a) fica obrigado a ser perfeito, impecável, saudável, quase imortal.

Contudo, a verdadeira relação amorosa se dá em meio as fragilidades e imperfeições do ser amado. É quando se aceita com maturidade que o ídolo tem seus “pés de barro”.

O ideal é ponderar as qualidades, os valores e os defeitos. Pessoas maduras afetivamente amam parceiros imperfeitos.

Sorte e paz, te espero na próxima edição.

Voce faz boas escolhas amorosas? Revista Minas em Cena

Sempre gosto das pessoas erradas. Ja me envolvi com pessoas boas, mas logo perdi o interesse, e sempre acabo me apaixonando por quem não deveria.



Essa reclamação é bastante comum, tanto em homens quanto em mulheres. Na minha experiência, percebo uma característica em comum naqueles que trazem consigo essa queixa: são indivíduos motivados pelo desafio.
É como se só conquistas difíceis ou beirando o impossível tivessem valor.

E exemplos não faltam, há quem se motive com o desafio de transformar alguém frio e distante eu um ser amável e dócil, há quem insiste em transformar o egoísta em generoso, há ainda quem corajosamente se motive em converter o  “mulherengo” em exemplo de fidelidade, tem também pessoas que só se interessam por quem representa o o sonho de consumo coletivo. Estes e outros exemplos carregam consigo um ponto em comum: as conquistas difíceis.

Tantas elaboração e estratégia em torno de um sentimento que em tese, deveria fluir naturalmente, pode sinalizar um perigo: a vaidade disfarçada de amor.

É possível que a maioria das pessoas que escolhem sempre relacionamentos fadado ao insucesso, esteja com sua auto estima enfraquecida ou trás consigo um histórico de desamor materno ou paterno. Assim, sentem-se atraídas pela conquistas difíceis com a falsa crença de que uma vez vencida a dificuldade, virá a recompensa através do preenchimento da sensação de vazio, ledo engano.

Visto sob uma ótica consciente, não faz sentido ter interesse por alguém com um curriculum afetivo pouco admirável. Essas escolhas invertidas tem suas raízes fincadas no subconsciente.

Na contramão desse movimento temos as relações afetivas extremamente prazeirosas, calmas e leves e sem saber explicar o porque, perde-se totalmente o interesse pelo outro.
 
Neste caso é muito importante avaliar criteriosamente o desinteresse, pois não é difícil de se cair numa armadilha sentimental, uma cilada muito bem elaborada pela mente que induz a busca de amores impossíveis, perfeitos e irreais desperdiçando aqueles que oferecem paz e mansidão.
Pense nisso.

Sorte e Paz, te espero na próxima edição.

Uma Visão além de si mesmo. Revista Exclusive

Tenho um parceiro com dificuldades para entender meu ponto de vista, banaliza a minha dor e acha minhas reclamações sem fundamentos. Ele diz que sou geniosa, eu já o acho intolerante. Ele afirma que me entende, mas acredito que não, pois sempre divergimos. Há amor, mas convivo com esse constante incomodo na relação.

 
A generosidade emocional nas relações seria ampliada se houvesse a pratica da percepção empática entre os casais. Mas lamentavelmente ela não é privilégio de todos.
Sou entusiasta da palavra empatia, infelizmente pouco encontrada nas pessoas e muitas vezes usada forma equivocada.
 
Empatia é uma competência emocional que possibilita enxergar o outro sob a otica do outro, sentindo como ele se sente, pensando como ele pensa, se colocando inteiramente em seu lugar e compreendendo suas reais motivações -- coisa rara de se ver.
 
Para que haja empatia é preciso sensibilidade aguçada, capacidade de ouvir, inteligência emocional desenvolvida e ausência de egoísmo. É a visão a partir do referencial alheio e não do “EU”, portanto empatia e egoísmo não coexistem.
 
Se relacionar com alguém incapaz de se colocar em seu lugar, significa conviver com um parceiro que será sempre em algum grau, indiferente as suas dores. E pior, mesmo que ele se esforce, dificilmente alcançará índices satisfatórios, pois a verdadeira empatia é uma aptidão inata onde o egoísmo cede gentilmente o lugar ao altruísmo.
 
É comum alguns casais resolverem esta equação adotando a prática do “eu não te entendo, mas eu te respeito”. Temos aí duas possibilidades: uma se o pacto for pautado no amor, na verdade e no empenho mutuo, há grandes chances do respeito preponderar ao não entendimento. A outra possibilidade é desse combinado ter apenas o objetivo de por fim a uma discussão, este representa a maioria dos casos, e aí pode morar uma terrível bomba relógio pronta para explodir a qualquer momento.
 
É preciso ficar atento a seriedade do que é tratado. Combinar somente o que for possível cumprir para não deixar pior, aquilo que já não está bom.
Nestes casos praticar a empatia é um excelente exercício de amor incondicional, mas como disse sabiamente nosso admirável Nelson Rodrigues “ Amar a humanida é facil, dificil é amar o próximo”.
 
Sorte e Paz, te espero na próxima edição.