Artigo Jornal Hoje em Dia -- 13.07
E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu.
Acaba-se a Copa, ficam-se os estádios, a vergonha e o mico.
A copa aconteceu aos trancos e barrancos, com um puxadinho no aeroporto aqui, uma maquiagem urbana ali, um viaduto caído acolá. Teve Copa.
Teve também muita revolta da população com o abuso do dinheiro público e total inversão de valores em relação a saúde e a educação. Em que pese a indignação foi impossível não torcer, não vibrar e não se emocionar em algumas partidas, como por exemplo Brasil e Chile.
Tivemos momentos de comoção nacional com a fratura de Neymar, e aí lembramos que copa se faz com hospital, sim, Ronaldo Fenômeno. Talvez não um hospital particular como o que nosso craque foi tratado, mas hospitais públicos que socorreram as vitimas do viaduto que desabou em Belo Horizonte. Aliás dediquei silenciosamente a derrota vexatória de 7 x 1 as vítimas desse triste acidente.
Não consegui seguir o conselho do Rei Pelé, que meses antes da copa do mundo, sugeriu a população esquecer as confusão que o Brasil estava (está) passando, esquecer as manifestações e pensar somente na seleção brasileira.
Não consegui seguir suas palavras, meu rei!
Confesso que essa copa me despertou sentimentos contraditórios e concomitantes. Senti amor pelo país, pelo futebol, pela Seleção e náuseas pela desordem pública evidente.
Confesso que transitava entre a alegria e a frustração em cada partida que ganhávamos. Se isso significa misturar futebol com política, eu não sei como não fazê-lo, uma vez que para realizar este evento sucumbimos em reformas mastodônticas e rios de dinheiro público.
Não levar o título de campeão dessa Copa, infelizmente ajuda a retirar a máscara de que está tudo bem com o país do futebol. Levar uma coça em casa e ainda ser chacoteado mundialmente ficará para história das Copa do Mundo.
Será que o departamento de marketing da presidente, insistirá ainda em reverberá que fomos a Copa das Copas?
Aliás nunca entendi bem este slogan. Seríamos nós a copa das copas do jeitinho brasileiro? Da malandragem? Do Macunaíma da modernidade? Ou a copa das copas do roubo, da hipocrisia e da derradeira abjeção?
E agora, entraremos em estado de deliquescência de um país depaurado ou teremos um novo circo para distrair os espectadores? Haja tapete para tanta sujeita. Haja dinheiro para tanto imposto. Haja subserviência para tanta psiCopatia. Haja paciência para viver nesse país e como diz o Galvão Bueno, haja coração.
O orgulho de ser brasileiro anda de mãos dadas com a vergonha de ser vítima da incompetência mostrada como prosperidade, da censura engrupida de democracia e dos acéfalos travestidos de intelectuais. Pobre país rico, onde o espaculoso sobrepuja `a sobriedade e a pizza é levada a sério.
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