O verdadeiro espírito de Natal: Generosidade e Amor
É Natal e na
grande magia que evolve esta época do ano, despertam dentro de alguns um
potencial de solidariedade e compaixão, surgem as campanhas contra a
fome e a miséria humana, renasce dentro de nós a esperança na humanidade
e em sua generosidade.
Muitas famílias passam juntas esta noite, pessoas perdoam-se mutuamente,
desentendimentos são desfeitos, compartilha-se a emoção e a alegria que
envolve a história do menino Jesus e a lenda do bom velhinho, tudo gira
em torno do amor. É o aval que algumas pessoas precisavam para
demonstrar seu carinho e sua gratidão às pessoas que querem bem.
A figura de JESUS simboliza a capacidade humana de ser humilde,
generoso, de amar, compartilhar, preocupar-se com o outro e
principalmente respeitar as pessoas, independente de classe social, ou
mesmo das próprias crenças.
De forma geral, fomos educados dentro de uma concepção
filosófico-religiosa onde aprendemos a valorizar o ser generoso, aquele
que oferece toda a sua disponibilidade e bens para o outro, sem pedir
nada em troca.
Só podemos oferecer o que temos, a generosidade é uma capacidade emocional que se relaciona ao desprendimento e a auto-estima.
Quando você oferece algo para alguém esperando algo em troca, isto
chama-se na verdade investimento e portanto você não está dando nada;
quando você oferece algo e cobra o pagamento, isto é venda e portanto o
outro tem direito de saber o que está comprando e qual o preço do
produto para decidir se o quer ou não.
As relações afetivas de todo tipo, sejam familiares, amorosas, sexuais,
fraternas ou quaisquer outras, tem como base o compartilhar de afetos,
pensamentos, emoções, respeito mútuo e portanto não se trata de
investimentos no sentido que coloquei anteriormente, nem de venda. É
como a garota que gasta todo seu salário com um lindo presente para seu
namorado e na noite de natal ele chega com um pacotinho de bombom e
sente-se culpado por ter sido tão mesquinho. Na verdade nenhum dos dois
estava satisfeito e seguro da própria atitude, ela esperava algo mais
substancioso, pelo menos mais próximo do esforço que fez para agradá-lo,
enquanto deveria na verdade é reavaliar seu modo de sentir-se passível
de ser amada. Esta equação: tenho que oferecer muito para as pessoas
perceberem como eu sou legal, e obviamente ser recompensada, são velhas
companheiras conscientes ou inconscientes das pessoas que se acham
generosas demais para este mundo cruel e mesquinho que não reconhece sua
grandeza e generosidade. Na verdade o centro desta questão é uma
auto-estima muito baixa, uma dificuldade de perceber o próprio valor.
Como isso é possível numa sociedade capitalista e competitiva como a
nossa? Como sermos ‘bons sem nos sentirmos bobos ou nos tornarmos
tirânicos?
Aprendemos com nosso desenvolvimento pessoal, que toda relação contém em
si algum tipo de troca; buscamos ser aceitos em nossa forma de estarmos
no mundo, sermos compreendidos em nossos motivos e principalmente,
buscamos ser felizes.
Ser BOM é diferente de ser BOBO, como também querer ser esperto também é diferente de ser generoso.
E qual a diferença entre essas coisas?
O diferencial está na capacidade de perceber-se e aceitar-se, de ser
autêntico em suas atitudes, respeitando a si e ao outro. O bobo é aquele
que na verdade não sabe do que é capaz e portanto não consegue perceber
do que o outro é capaz, justamente por não ter real conhecimento da
própria natureza (humana), coloca-se numa posição de total desproteção,
tornando-se vulnerável. O esperto é aquele que está sempre tentando
‘levar vantagem em tudo’, mas sempre vestido de bom moço, ele é produto
do entendimento equivocado da palavra generosidade. E finalmente o bom é
aquele que sabe que não é bom nem mau e ao mesmo tempo é simplesmente o
'interjogo' dessas duas forças que existem dentro de nós e as quais
procuramos, através de nossa maturidade emocional, aprender a manter em
equilíbrio para nos relacionarmos de forma harmoniosa e feliz.
O advento da generosidade é algo maior que o poder econômico. Podemos
ser generosos sem necessariamente termos dinheiro, podemos oferecer
gratuitamente amor, atenção, solidariedade e principalmente respeito,
aprendendo a olhar as pessoas que estão à nossa volta como seres
humanos, não apenas enxergando seus defeitos, mas as suas qualidades e
potenciais pessoais.
Desejo a todos um Natal generosamente fraterno e feliz.
Fonte: somostodosum.ig.com.br
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